O Grupo de Estudos Online de Filosofia da Física (GEOFF)
O GEOFF é um grupo independente, sem vinculação direta com qualquer instituição. A participação é gratuita e aberta para qualquer pessoa, independentemente do nível de escolaridade e localidade. O grupo surgiu a partir da iniciativa de monitores do Projeto Filosofia da Física na UFOP (2008-2010) sob coordenação do professor Desidério Murcho e subsídio do Programa Pró-Ativa da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal de Ouro Preto.
Pesquisa e Produção em Filosofia da Física
O objetivo central do GEOFF é estimular a pesquisa e a produção em Filosofia da Física estabelecendo um ambiente de interação entre estudantes de diversas localidades. A interação online ocorre via grupo de e-mails e fórum de discussões.
Os trabalhos produzidos pelos participantes do GEOFF são discutidos e revisados por outros participantes. Para auxiliar a produção bibliográfica, eles têm a oportunidade de inscrever-se como integrantes de módulos de estudo e projetos de tradução, havendo ainda a liberdade de produção de trabalhos independentes. Tanto os módulos de estudo quanto os projetos de tradução são propostos e coordenados pelos próprios participantes do grupo.
Filosofia da Física e Acessibilidade Online
Temos, também, como objetivo a divulgação de produções em Filosofia da Física e a facilitação do acesso a elas por meio dos recursos oferecidos via internet. Oferecemos, no site, um banco de dados sobre Filosofia da Física, com endereços de sites e links de obras livres disponíveis na rede. A ideia é que o site do GEOFF funcione, também, como um instrumento de auxílio aos estudos dos participantes e como um meio de acesso a trabalhos da área. O GEOFF apóia e incentiva o acesso irrestrito a obras via internet, mas oferece acesso somente a obras legalmente disponíveis.
A Filosofia da Física
A Filosofia da Física ocupa-se de dois tipos de problemas intimamente relacionados com a Física. Ocupa-se, por um lado, dos problemas epistemológicos, lógicos, metodológicos e metafísicos que emergem da Física — tratando-se de uma análise dos pressupostos, métodos e conseqüências da Física, tal como esta é feita —; por outro lado, a Filosofia da Física ocupa-se de assuntos — como a natureza do tempo ou do espaço — que são, evidentemente, tratados na Física, mas não exaustivamente. Alguns problemas sobre a natureza do tempo, por exemplo, são insuscetíveis de tratamento empírico ou matemático e não podem, por isso, ser estudados no âmbito da Física. Como aconteceu noutros casos, como no caso da Filosofia da Biologia, a Filosofia da Física só atingiu a sua plena maturidade nas últimas décadas do séc. XX, apesar de as reflexões filosóficas que hoje reconhecemos como pertencentes à área da Filosofia da Física existirem, evidentemente, desde os pré-socráticos e, sobretudo, desde Aristóteles. A partir do início do séc. XX, a Filosofia da Ciência ganha proeminência, nomeadamente com os trabalhos de alguns filósofos do Círculo de Viena, e, na tradição francesa, Gaston Bachelard e Henri Bergson. Em alguns desses casos, e ainda hoje, o que se entendia por “Filosofia da Ciência” era, em grande parte, Filosofia das Ciências da Natureza. Em alguns casos, os problemas tratados eram próprios da Física, mas noutros, tratava-se de problemas gerais, relacionados com qualquer ciência da natureza. Com o tempo, a abordagem de problemas próprios da Física, da Biologia e de outras ciências deu origem às respectivas subdivisões, apesar de ainda hoje haver uma forte sobreposição. A distinção clarifica-se se pensarmos que, sendo a Filosofia da Física uma disciplina da Filosofia da Ciência, ela se ocupa, contudo, daqueles aspectos diretamente relacionados com a Física em particular e não com as ciências da natureza em geral. Como acontece em todas as áreas da Filosofia, também aqui, o trabalho consiste, principalmente, na análise, discussão e teorização intensa com respeito aos problemas próprios da disciplina. Isso envolve o uso sistemático do raciocínio, não se confundindo de modo algum com discursos literários ou quase-poéticos sobre a Física. As distinções acadêmicas são artifícios que permitem a saudável divisão social do trabalho intelectual, mas não devem ser vistas de forma absoluta. A Física e a Filosofia da Física interpenetram-se. Isso é particularmente evidente quando os físicos tratam de questões fundacionais, como ocorreu várias vezes no séc. XX, mas também com Newton. Assim, o trabalho hoje desenvolvido em Filosofia da Física é de interesse não apenas de filósofos ou pessoas com preocupações filosóficas, mas, também, de físicos interessados nos aspectos fundacionais da sua disciplina. Desidério Murcho Professor do Departamento de Filosofia da UFOP Conselheiro do GEOFF |